diplomaComo estrangeiro, fico impressionado com um aspecto da cultura brasileira: o amor pelos documentos oficiais, com vários selos de autenticação. Não sei se o Brasil é uma república verdadeiramente federativa, mas tenho certeza de que o Brasil é uma república burocrática. Se eu não tiver minha identidade em mãos, será que eu existo?

Esta preocupação surge também quando pais estão avaliando a possibilidade de educar seus próprios filhos. Como eles podem avançar na vida sem diploma? Será que eles vão saber algo se não tiverem um documento que afirme isso?

Nosso filho mais velho tem 19 anos. Hoje, ele estuda o quadrivium numa faculdade de confissão reformada nos Estados Unidos. Nathanael, em todos os anos de educação domiciliar, nunca fez nenhuma prova. Ele nunca recebeu nenhuma nota. Ele nunca tirou nenhum diploma.

Antes de fazer o SAT (o Enem dos EUA), ele primeiro fez uma simulação. A nota foi razoável. Foi a primeira nota que ele recebeu em sua vida. Quando fez o SAT, ele tirou uma nota perfeita na seção de interpretação de textos. Nas outras duas seções (matemática e redação), ele tirou uma nota média.

Hoje, ele está tirando boas notas (cum honore, cum laude) na faculdade clássica (e rigorosa) onde estuda. Meu filho não é um gênio. Ele simplesmente recebeu uma boa educação, feita sob medida para combinar com sua personalidade e seus dons e talentos. Ele recebeu a liberdade de amar e buscar o conhecimento. Tudo isso foi uma preparação mais que suficiente para que ele pudesse encarar a vida e o mundo lá fora. Ele tem capacidade de se adaptar a um outro sistema de ensino, e de aprender como fazer provas e receber notas. Ele consegue estudar e aprender num nível igual ou superior a alguém que estudou toda a vida numa escola tipo linha de montagem.

Resumo da história: a falta de um pedaço de papel não vai necessariamente acabar com a vida do seu filho.

No Brasil, a lei permite pessoas que já tem 18 anos façam o Enem e, por meio do Enem, obtenham o certificado de conclusão de ensino médio. Então, se você realmente quer o pedaço de papel, tem como conseguir! (veja o link do próprio Enem aqui.)

Acredito que o que aconteceu nos EUA e no Canadá, futuramente, acontecerá também no Brasil. As faculdades descobriram rapidamente que os alunos educados em casa muitas vezes tinham um melhor desempenho que os alunos educados em instituições de ensino. Hoje, as faculdades fazem de tudo para atrair alunos que foram educados em casa.

Lembro-me de uma filha de conhecidos nossos. Ela toca piano muito bem. Ela foi para uma faculdade que tem um programa de música muito conceituado, e então pediu para entrar no programa, mas não tinha um diploma de ensino médio. Eles a mandaram embora. “Antes de sair, posso tocar só 5 minutos para vocês?”, ela perguntou. Eles concordaram. Ela nem tocou os 5 minutos completos e eles já declararam que ela não somente seria recebida no programa, mas também ganharia uma bolsa.

O que vale é a capacidade, não a quantidade da papelada.

“Vês a um homem perito na sua obra?
Perante reis será posto; não entre a plebe.” — Provérbios 22.29