Professora é afastada após menina de 4 anos ser pendurada em janela em MG

Fiquei triste ao ler esta notícia. Triste por vários motivos.

Triste, claro, porque nenhuma criança deveria passar por uma tal situação, muito menos uma pequena menina de apenas 4 anos.

Triste também pela reação do Conselho Tutelar, que aconselhou a direção da escola a providenciar grades para as janelas dos andares superiores da instituição de ensino.

Pare por um momento para refletir comigo.

O Estado obriga os pais a entregarem seus filhos às instituições de ensino estaduais a partir da mais tenra idade. O Estado obriga professores mal pagos a passarem horas a fio com uma sala superlotada de crianças. Cada uma destas crianças é um mundo diferente, tem uma alma diferente, tem sonhos diferentes, tem dons diferentes, tem uma situação doméstica diferente, tem medos diferentes, e tem personalidades diferentes. Estas crianças precisam de educação, de amor, de acompanhamento, de um guia que as ajude a desenvolver seus talentos e dons, de um amor paternal e maternal que amavelmente corrija seus erros e discipline suas rebeldias.

Tenho pena desta menina de 4 anos. Ela estava longe de sua mãe, longe do ambiente seguro da casa e da família, onde ela deveria aprender por meio de sua mamãe que é feio jogar coisas pela janela. Quem deve ensinar estas coisas é exatamente a pessoa que ama a criança de tal forma que daria sua vida por ela. Mas, em vez disto, a própria menina é lançada pela janela. Nem posso imaginar o terror dela.

Tenho pena da professora também. Ela, tecnicamente, está in loco parentis — no lugar dos pais. Num mundo ideal, se e quando os pais decidem fazer uso de uma escola, esta escola deve ser dirigida pelos pais, e manter um ambiente que reflete o amor, o cuidado e a cosmovisão dos pais. Mas, esta professora, numa escola estadual, só deve conseguir pensar em sobreviver. Eu sei como é: tenho vários anos de experiência como professor em sala de aula. O objetivo é sobreviver o dia, e manter um mínimo de controle para que a sala de aula não caia em desordem total. Numa situação dessa, quando uma criança joga algo pela janela, a primeira reação emocional do professor é: “Eu preciso dar uma basta! Se eu não reagir com firmeza, daqui a pouco estarão jogando as cadeiras pela janela.”

Uma professora sozinha não tem condições de educar, guiar, corrigir, e disciplinar em amor uma sala superlotada. Talvez ela consiga sobreviver e se controlar para nunca, em toda sua carreira, jogar uma criança pela janela. Mas, ela nunca terá condições de proporcionar a educação e o amor que só uma mãe pode dar.

Um dia, vamos acordar deste pesadelo de 150 anos de sistema de educação institucional obrigatório falido. Um dia, vamos olhar para a história e achar absolutamente incrível ter havido uma época quando a sociedade achava natural o Estado raptar crianças de quatro anos dos braços de suas mães para mantê-las reféns em instituições sujas, superlotadas e violentas. Instituições que nem na melhor das hipóteses poderiam chegar perto do ambiente de amor paternal do lar. Instituições com grades nas janelas.

 

Fonte: Professora é afastada após menina de 4 anos ser pendurada em janela em MG – Notícias – UOL Educação

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