A criança, a planta, e as metas de crescimento

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Vivemos em uma sociedade altamente técnica e mecanizada. Isso afeta nossa forma de lidar com problemas. Se algo não está dando certo, queremos identificar a peça que não está funcionando e substituí-la. Fazemos assim com o carro, ou com o computador.

O problema é quando tratamos pessoas, especificamente os nossos filhos, dessa forma. Os nossos filhos não são máquinas. Não temos como trocar uma peça, ou fazer um upgrade de RAM para resolver problemas de aprendizagem ou melhorar o desempenho. É de suma importância que nós, pais, entendamos isso quando consideramos as metas que consciente ou inconscientemente estamos estabelecendo para nossos filhos.

A ciência se atreve a nos declarar o que é normal. Criança de tal idade pesa tantos quilos, tem tantos centímetros de altura. Criança aprende a andar com tantos meses. Criança aprende a ler com tantos anos. Isso é o padrão. Isso é o normal.

E nós, pais, ficamos angustiados quando nossos filhinhos estão aquém do “normal” que o cientista, ou o médico, ou a pedagoga está cobrando. Então, descontamos a nossa angústia em nossos coitados filhos. Você acha que eles não percebem, que eles não ouvem, quando não paramos de falar a eles, e aos outros, que eles estão “atrasados”? Que são lentos demais, que são baixinhos demais, que estão atrasados demais?  Veja a angústia de pais de primeira viagem quando o bebezinho está apenas um mês “atrasado” para falar, para andar, para alcançar esta ou aquela meta!

Na criação de filhos, e na educação deles, precisamos aprender algumas palavras importantes. “Calma!” “Relaxe!” Nossos filhos não são máquinas. Portanto, tratá-los de uma forma mecânica só vai gerar problemas. Nossos filhos são seres humanos, seres com corpo e alma que funcionam, se desenvolvem e crescem de uma forma orgânica, não mecânica.

Isso faz toda a diferença. Você já reparou que bons jardineiros são pessoas calmas, tranquilas, pacientes, que emanam uma certa paz? Não é por acaso. Quando se trabalha com plantas não tem como ficar irritado, frustrado, cobrando metas. O jardineiro não coloca uma régua ao lado da plantinha e fica puxando para que alcance a altura desejada. Não funcionaria. Prejudicaria, machucaria a planta.

O bom jardineiro trabalha com cada planta individualmente. Avalia as condições, as necessidades, os pontos fortes e fracos. Poda, rega, aduba. Cada planta recebe a atenção personalizada que precisa.

Precisamos aprender que nossos filhos são indivíduos. Ficar angustiado quando a criança não alcança uma meta que descreve o desempenho médio observado por um estudo científico não tem sentido. Muitas vezes, esse estudo científico foi aplicado em outro país (EUA), em outra cultura. E, mesmo se for um estudo nacional, a média é exatamente isto: a média. Na vida real, quase metade das crianças estão “aquém” da média, e a outra metade “acima” da média. Poucas são as crianças que acertam exatamente esta média.

Então, calma. Deus não chamou você para criar seus filhos para atenderem a algum suposto padrão de normalidade publicado em algum trabalho acadêmico. Deus chamou você para criar seus filhos no temor do Senhor. Seus filhos são indivíduos que Deus criou por modo assombrosamente maravilhoso. Seus filhos têm os dons, os talentos, os pontos fortes, e os pontos fracos que Deus, em Sua soberania, decretou para eles.

Cabe a você trabalhar a partir de quem seus filhos são, e não a partir daquilo que algum cientista declara que seus filhos devem ser. Como o bom jardineiro cultiva a planta com amor, paciência e calma, assim devemos cultivar os nossos filhos.

Nosso primeiro filho começou a ler com mais ou menos 9 anos. Com 17, ele conquistou uma nota perfeita (100%) na seção de interpretação de textos no Enem dos EUA. Na providência de Deus, ele “atrasou”; não alcançou a meta de aprender a ler na idade “correta”. Imagine se tivéssemos tratado ele como “burro”, “atrasado”? Seria uma profecia que se auto-cumpriria.

Por serem criados em um ambiente bilingue, nossos filhos às vezes demoram para falar. Uma das nossas filhas começou a falar com quase 3 anos de idade. Hoje, ela consegue se expressar de uma forma muito desenvolvida, tanto em português quanto em inglês.

Um conselho: Tenha calma e jogue fora as metas. Ame seus filhos, crie um ambiente rico em amor, materiais e conteúdo que sirvam para alimentar a alma e o intelecto deles. Cultive seus filhos como um jardineiro cultiva cada planta, com atenção personalizada.

Não é assim que Deus faz com você?

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