Algumas semanas atrás, eu estava nas montanhas do Colorado e notei um poste incomum. Este poste era feito a partir de uma árvore. Mas, isso não era a parte incomum. A parte incomum era o encaracolado que o tronco da árvore fazia logo abaixo da lâmpada. Parecia um daqueles canudinhos bobos que fazem voltas no meio.

Alguém tinha treinado aquela árvore para crescer daquele jeito enquanto era apenas uma muda. Claro, árvores completamente adultas também podem ser treinadas para crescer de certas maneiras, mas é muito mais fácil moldar uma árvore quando ela é jovem e flexível.

Charlotte Mason expressou o mesmo princípio desta forma para os pais:

“O que você deseja que o homem se torne é o que você deve treinar a criança a ser” (Vol. 2, p. 15).

Os anos pré-escolares são o momento perfeito para se concentrar em formar bons hábitos em nossas crianças. Nunca é tarde demais para incutir um bom hábito, mas será muito mais fácil se incutirmos bons hábitos desde o início!

Dos sessenta ou mais hábitos que Charlotte recomendava, dois devem ser prioridade para os pais de crianças pré-escolares: o hábito da atenção e o hábito da obediência. Aqui vão mais alguns dos pensamentos de Charlotte sobre o assunto.

 

  1. Perceba que seu filho não vai simplesmente abandonar seus próprios defeitos.

Enfrentemos o fato, nossos pequeninos são frequentemente fofos quando fazem algo errado. Mas, os pais não podem se dar ao luxo de rir de temperamentos feios ou da desobediência.

“Eles dizem: ‘A criança é muito pequena; ela não conhece nada melhor; mas tudo isso será corrigido na medida em que ela cresce”. Porém, uma falha de caráter negligenciada não pode fazer outra coisa além de crescer em força.” (Vol. 2, p. 87).

 

  1. Seja consistente.

A chave para incutir qualquer hábito é a repetição. Quanto mais vezes nossos filhos fizerem a coisa certa, mais fácil se tornará. Rapidamente eles serão capazes de fazer a coisa certa sem precisar parar para pensar a respeito. Mas, se eles fizerem a coisa certa apenas uma ou duas vezes e, em seguida, forem autorizados a fazer a coisa errada cinco vezes, teremos eliminado qualquer progresso nesse novo hábito e será necessário começar tudo de novo. Portanto…

 

  1. Ajude seu filho a praticar o bom hábito tantas vezes quanto possível.

Como é que isso funciona na prática? Aqui está um exemplo para cada um desses dois hábitos principais:

Atenção: Incentive seu filho a olhar para um objeto por um pouco mais de tempo a cada vez.

“Um bebê, não obstante os seus maravilhosos poderes de observação, não tem poder de atenção; em um minuto, o brinquedo cobiçado cai de seus dedinhos apáticos e seu olhar errante brilha sobre alguma nova alegria. Mas, mesmo nesta fase, o hábito de atenção pode ser treinado: o brinquedo descartado é recolhido, e, com um “Bonito!” e uma exibição muda (silenciosa) do brinquedo, a mãe mantém os olhos do bebê fixos por mais alguns minutos; e isto é a sua primeira lição de atenção. Mais tarde, como já vimos, a criança estará ansiosa para ver e lidar com cada um dos objetos em seu caminho. Mas, observe-o em suas investigações: ele pula de uma coisa a outra com menos propósito do que uma borboleta entre flores, não permanecendo em nada tempo suficiente para obter algo de bom daquilo. É dever da mãe complementar a capacidade de observação rápida da criança com o hábito da atenção. Ela deve assegurar que a criança não viaje de uma coisa a outra, mas observe algo tempo suficiente para obter uma verdadeira familiaridade com o objeto”. (Vol. 1, pp. 139, 140).

 

Obediência: Espere e insista em uma obediência pronta, alegre, e duradoura sempre.

“Este é o tipo de coisa fatal: As crianças estão na sala de estar, e um chamado é feito. “Subam agora mesmo”. “Oh, querida mãe, deixe-nos ficar no canto próximo à janela; vamos ficar tão quietos como ratos!” A mãe está bastante orgulhosa das boas maneiras de seus filhos, e eles ficam. Eles não ficam quietos, é claro; mas esse é o menor dos males; eles conseguiram fazer aquilo que queriam e não o que foram ordenados, e eles não colocarão seus pescoços sob o jugo novamente sem lutar. É nas pequenas coisas que a mãe é inferiorizada. “Hora de dormir, Willie!” “Oh, mamãe, deixe-me apenas terminar isso”; e a mãe cede, esquecendo-se, pois o caso em questão é irrelevante. O que mais importa é que a criança deve ser diariamente confirmada no hábito da obediência pela repetição contínua de atos de obediência. É surpreendente o quão astuta a criança é em encontrar formas de escapar do espírito, enquanto observa a letra. “Mary, entre” “Sim, mãe”; mas sua mãe chama quatro vezes antes que Mary venha. “Recolha seus blocos”; e os blocos são recolhidos com os dedos lentos e relutantes. “Você sempre deve lavar as mãos quando ouvir o primeiro sinal”. A criança obedece daquela vez, e nunca mais.

“Para evitar estas exibições de obstinação, a mãe deve insistir desde a primeira vez em uma obediência rápida, alegre, e duradoura — protegida dos lapsos de memória por parte da criança. Obediência tardia, desinteressada e ocasional quase não vale à pena; e é muito mais fácil dar à criança o hábito da obediência perfeita ao nunca lhe permitir qualquer outra coisa, do que obter essa mera obediência formal por meio um constante exercício de autoridade”(Vol. 1, pp. 163, 164).

 

Sim, podemos listar páginas e páginas de outras dicas práticas, mas comece com essas duas. Coloque-as em prática de forma consistente e veja como esses novos hábitos vão treinar a direção da vida do seu filho.

 

Reproduzido e traduzido com a permissão de Simply Charlotte Mason.

Traduzido por Arielle Pedrosa