Desde o tempo em que meus filhos eram pequenos, ler em voz alta tem sido um prazer fixo em nossas vidas. Lembro-me de sentar no sofá com uma pilha de livros que meus pequeninos tinham selecionado alegremente, carregado, e dado a mim. Ainda posso vê-los em minha mente, subindo no sofá e se sentando ao meu lado para uma aconchegante sessão de leitura em voz alta no fim da manhã.

Nos últimos vinte anos, o cenário mudou, os livros mudaram, os ouvintes mudaram, mas o deleite se manteve, e até mesmo se aprofundou.

Ler em voz alta é um alicerce básico para homeschoolers que utilizam o Método Charlotte Mason. É uma forma poderosa de comunicar ideias vivas e modelar grandes estilos de escrita, mesmo antes de as crianças poderem ler fluentemente por si mesmas.

E, após as crianças atingirem a fase em que podem ler fluentemente, temos o privilégio e a responsabilidade de ajudá-las a aprender a ler bem em voz alta para o prazer de quem escuta.

“Se a leitura precisa ser agradável aos ouvintes, então, ela deve ser distinta, fácil e empática. E aqui está mais uma coisa que os próprios pais devem fazer por seus filhos, pois ninguém mais pode guiá-los ao hábito de ler para o prazer de outras pessoas a partir do momento em que puderem ler fluentemente” (Vol. 5, p. 220 ).

Ler bem em voz alta é uma forma de arte — que podemos ajudar nossos filhos a cultivar e que nós mesmos podemos continuar cultivando. Charlotte tinha algumas dicas maravilhosamente práticas para nos ajudar a ler para o prazer dos outros. Vamos dar uma olhada nessas dicas pelas próximas semanas.

 

Os Principais Erros

 

Um dos maiores problemas que tinha ao ler em voz alta eram aqueles bocejos enormes que pareciam surgir do nada e nos interrompiam nos momentos mais inoportunos. Então, eu fiquei surpresa e encantada ao descobrir que Charlotte abordou esse problema!

A princípio, ela listou três principais erros que as pessoas normalmente cometem quando leem em voz alta:

“Depois de uma enunciação indistinta e descuidada, talvez os dois erros mais difíceis em um leitor são a lentidão, que não vê o que está por vir e tropeça sobre a próxima frase, e o hábito de respirar ofegante, como um peixe fora d’água, várias vezes no decorrer de uma sentença”. (Vol. 5, pp. 220, 221).

Essas são as principais falhas que iremos abordar nesta série:

  • Enunciação indistinta e descuidada
  • Tropeços em palavras e frases
  • Respirar ofegante ou bocejar

Então, qual foi a solução de Charlotte aos meus bocejos e suspiros constrangedores?

 

Dica # 1: Inspire pelo nariz, não pela boca.

“O último erro é facilmente curado: ‘Nunca respirar pela boca, mas sempre através das narinas, durante a leitura’, é uma regra segura: se os lábios estiverem fechados durante o ato de inspirar, ar suficiente será inalado para inflar o pulmões e fornecer “respiração” para o leitor; mas se uma oferta excessiva de ar é inspirada tanto pela boca e quanto pelas narinas, causa-se um incômodo que é atenuado por meio de suspiros” (Vol 5, p 221..).

Depois que Charlotte apontou essa tendência, eu descobri que, sim, eu tinha o mau hábito de respirar pela boca antes de cada frase. Uma vez que me concentrei em mudar esse hábito — respirando pelo nariz ao invés de respirar pela boca —os bocejos acabaram. Tente, funciona!

 

Reproduzido e traduzido com a permissão de Simply Charlotte Mason.

Traduzido por Arielle Pedrosa