Já trabalhei com uma organista que havia aprendido a mecânica do instrumento. Ela também tinha sido informada sobre a ideia de “tocar com sentimento” e era cuidadosa ao variar a velocidade e o volume da música que estava tocando. O único problema era que ela fazia essas variações aleatoriamente. Elas em nada contribuíam com a comunicação da própria música ou com as intenções ou sentimentos do compositor ao criá-la.

Todos nós provavelmente já escutamos leitores que fazem a mesma coisa. São cuidadosos na pronúncia e já praticaram o suficiente para que não tropecem sobre as palavras, mas parecem manter o texto à distância dos braços. E não estou me referindo a uma questão de visão; estou falando sobre manter o texto emocionalmente à distância. É como se eles não tivessem entrado em entendimento com o autor. Eles não compartilham os mesmos sentimentos e, portanto, não estão comunicando o coração do autor.

Charlotte Mason nos encorajava a fazer o que ela chamou de leitura “empática”.

 

Lendo com Empatia

 

“Se a leitura deve ser agradável aos ouvintes, ela, então, deve ser distinta, fácil e empática” (Vol. 5, p.220).

Charlotte chamou a nossa atenção para uma leitura “empática”. Empatia significa compartilhar ou compreender os sentimentos ou ideias de alguém — neste caso, o autor do livro que estamos lendo em voz alta. Denota um entendimento entre pessoas, um sentimento comum.

Quando está lendo em voz alta, você tem o privilégio e a responsabilidade de comunicar o que o autor pretendia. Portanto, é óbvio que você mesmo precisa entender o texto primeiro. Mas você também precisa expressar essa intenção ao transmitir as palavras do autor.

Pense em quais palavras devem ser enfatizadas para melhor transmitir o significado. Use a expressão, mas não apenas aumentos e quedas aleatórias do tom de voz: comunique as linhas. Conte a história. Pinte a cena. Não apenas fale palavras.

Este não é o momento de ser tímido ou inseguro. Para comunicar o coração do autor, você recebeu dele confiança. Na medida em que você encarar essa responsabilidade com cuidado e entusiasmo, seus filhos acharão mais fácil prestar atenção e aprender.

“O professor lê com a intenção de que as crianças aprendam, e, portanto, com distinção, força e pronúncia cuidadosa; é mera questão de empatia, embora, é claro, seja o autor e não ele mesmo, a quem o professor está cuidando apresentar” (Vol. 6, p.245).

Ouça a si mesmo. Comece com um texto curto. Grave-se lendo um parágrafo, depois reproduza-o e ouça com atenção. Será que a leitura capturou sua atenção e transmitiu o coração do autor? Você consegue entender as palavras claramente? Como está a velocidade e suavidade da leitura?

Se você não gosta do que ouve, tome medidas para melhorar. Como com qualquer coisa que vale a pena, é preciso praticar para se tornar proficiente. Mas, seja encorajado pelo fato de que as coisas ficarão mais fáceis na medida em que você as praticar.

E, acima de tudo, nesta arte de ler bem em voz alta, qualquer esforço empreendido — grande ou pequeno — aumentará o prazer de seus entes queridos que estão escutando.

 

Reproduzido e traduzido com a permissão de Simply Charlotte Mason.

Traduzido por Arielle Pedrosa