Até agora, em nossa série, examinamos as três perguntas-chave que nos ajudam a discernir as diferenças entre os métodos de homeschooling, e falamos sobre como o método de Charlotte Mason é diferente de um currículo tradicional e de estudos por unidade. Hoje, vamos olhar como Charlotte Mason difere da abordagem clássica.

 

Que abordagem clássica?

 

Em primeiro lugar, precisamos esclarecer o que queremos dizer com “abordagem clássica”. Uma educação baseada em livros clássicos de linguagem rica, que sustentam virtudes elevadas é, às vezes, chamada de abordagem clássica. Charlotte Mason endossaria esses elementos e usaria o mesmo tipo de livros.

A diferença está na abordagem clássica que é baseada no trivium (os três estágios dos alunos) e que enfatiza a memorização e delineamento de fatos. Então, neste post vamos nos concentrar nessa abordagem e como ela difere de Charlotte Mason.

 

Alimentando a Mente

 

Provavelmente, a maior diferença entre esses dois métodos reside no tipo de “alimento” que abordagem dá à mente da criança. A abordagem clássica parece enfatizar fatos como alimento, com um padrão cuidadosamente organizado de quais ingredientes de informação devem alimentar a criança e quando. E, certos fatos são considerados cruciais para obter uma mente corretamente nutrida.

Com o método de Charlotte Mason, as idéias (e não os fatos) são o alimento para a mente. Em uma educação estilo Charlotte Mason, você dispõe um banquete de alimentos nutritivos e convidativos e deixa que a criança escolha com quais ideias ela formará uma relação — quais ideias farão conexões e fornecerão alimento à sua mente. Cada criança pode levar algo diferente do banquete, mas isso é bom, porque todas as comidas são saldáveis e saborosas.

Lembre-se do lema “A Educação é a Ciência das Relações”. Charlotte não estava tão preocupada com os fatos que uma criança conhecia quanto com as relações que tinha formado — com quais ideias ela se sentia familiar e se preocupava.

Nosso objetivo na Educação é oferecer uma vida plena. — Começamos a avistar o que queremos. As crianças nos fazem grandes exigências. Devemos isto a elas: iniciar um número imenso de interesses. ‘Tu puseste meus pés em um lugar espaçoso’, deveria ser o grito alegre de toda alma inteligente. A vida deveria ser totalmente vivida, e não meramente uma tediosa passagem de tempo; não totalmente realizada, ou totalmente sentida, ou totalmente pensada – a tensão seria muito grande –, mas, totalmente vivida; isso significa que deveríamos estar em contato com algum tipo de interesse vital onde quer que fossemos,  em quaisquer coisas que ouvíssemos ou víssemos. Não podemos dar às crianças esses interesses; preferimos que eles nunca dissessem que aprenderam botânica ou conchologia, geologia ou astronomia. A questão não é o quanto um jovem sabe ao término de sua educação – mas o quanto ele se importa, e sobre quantas ordens de coisas ele se importa. Na verdade, quão grande é o lugar onde seus pés estão postos? E, por conseguinte, quão completa é a vida que ele tem diante si? “(Vol. 3, pp. 170, 171).

Charlotte acreditava que apenas as ideias que haviam estabelecido residência nos profundos recessos da mente de uma criança influenciariam sua vida e, assim, verdadeiramente a educariam.

“Embora eles se arrastem obedientemente sobre qualquer uma das centenas de volumes secos-como-poeira publicados pelos editores sob o título de ‘Livros Escolares’, ou de ‘Livros de Educação’, eles mantêm todos esses livros no pátio exterior e não permitem que tenham acesso às suas mentes” (Vol. 3, p.222).

“No final, veremos que somente as ideias que alimentaram a vida da criança foram recebidas em seu ser” (Vol. 2, p.38).

 

Reproduzido e traduzido com a permissão de Simply Charlotte Mason.

Traduzido por Arielle Pedrosa